
Os dias vão passando numa azáfama desmedida para os dois. O pouco contacto diminui e o que não era nada, ainda se torna menos. Desintoxicação mais dolorosa…
A jogada não chega. Terá Pedro ganho por desistência do adversário? Era mais que óbvio que o seu oponente era bem capaz de desistir de umas coisas em detrimento de outras. Era um jogador experiente e, muito provavelmente, foi capaz de dar a volta ao jogo. Pedro fingia não se importar.
Uma noite, depois de um dia muito chuvoso e muito cansativo, Pedro chega a casa encharcado, escorrendo água mesmo, com a roupa toda molhada e gelada. Passa todas as divisões e entra no seu quarto, rapidamente. Aí, num canto, se enrosca, pega no seu caderno e ensopa-o; ensopa-o com a água que pingava directamente do seu cabelo molhado, com as lágrimas dos seus olhos castanhos bem clarinhos, mas, principalmente, ensopava-o com as suas ideias, memórias, sentimentos, emoções, receios, medos e desejos. Escreveu histórias e histórias, escreveu mais palavras que alguma vez tinha escrito, encheu páginas e páginas, repetia-se, andava à roda do assunto mais delicado. Circulava em torno daquele problema, tentando arranjar uma maneira de o abordar, arranjar uma maneira de o perceber. No fim, deita fora as folhas molhadas e frias; o reflexo mais fiel do seu estado. Seria ele apenas folhas gastas, escritas que, no fim, se deitavam fora? Parecia que sim. Mas, por outro lado, parecia que não era bem isso – Pedro seria mais justamente comparado às folhas já muito rotas e velhas que, por muito uso que tenham, continuam sempre a servir para os mais variados usos, menos para o qual são necessárias. Folhas sofridas, coitadas. Mas depois do banho e jantar, nesse dia, Pedro apresenta-se com o sorriso mais bem-disposto, com os olhos mais brilhantes e os movimentos mais alegres que eram característicos do ‘antigo’ Pedro.
Pedro pressente mudança, mas Daniela não. Daniela sabe que haverá mudança.
A jogada não chega. Terá Pedro ganho por desistência do adversário? Era mais que óbvio que o seu oponente era bem capaz de desistir de umas coisas em detrimento de outras. Era um jogador experiente e, muito provavelmente, foi capaz de dar a volta ao jogo. Pedro fingia não se importar.
Uma noite, depois de um dia muito chuvoso e muito cansativo, Pedro chega a casa encharcado, escorrendo água mesmo, com a roupa toda molhada e gelada. Passa todas as divisões e entra no seu quarto, rapidamente. Aí, num canto, se enrosca, pega no seu caderno e ensopa-o; ensopa-o com a água que pingava directamente do seu cabelo molhado, com as lágrimas dos seus olhos castanhos bem clarinhos, mas, principalmente, ensopava-o com as suas ideias, memórias, sentimentos, emoções, receios, medos e desejos. Escreveu histórias e histórias, escreveu mais palavras que alguma vez tinha escrito, encheu páginas e páginas, repetia-se, andava à roda do assunto mais delicado. Circulava em torno daquele problema, tentando arranjar uma maneira de o abordar, arranjar uma maneira de o perceber. No fim, deita fora as folhas molhadas e frias; o reflexo mais fiel do seu estado. Seria ele apenas folhas gastas, escritas que, no fim, se deitavam fora? Parecia que sim. Mas, por outro lado, parecia que não era bem isso – Pedro seria mais justamente comparado às folhas já muito rotas e velhas que, por muito uso que tenham, continuam sempre a servir para os mais variados usos, menos para o qual são necessárias. Folhas sofridas, coitadas. Mas depois do banho e jantar, nesse dia, Pedro apresenta-se com o sorriso mais bem-disposto, com os olhos mais brilhantes e os movimentos mais alegres que eram característicos do ‘antigo’ Pedro.
Pedro pressente mudança, mas Daniela não. Daniela sabe que haverá mudança.
Fim da Parte 4

2 comentários:
A vida faz-nos tomar de imediato medidas e decisões inesperadas, porém como seres racionais temos de as contornar. Caso, num dueto apeneas um se der conta de alterações que surjam eventualemtne e o outro não, o primeiro, tem sempre a obrigação de ajudar o segundo a entender os porquês possíveis e imaginários. E mesmo, perante um encharcamento de chuva, chorar faz bem
"Aí, num canto, se enrosca, pega no seu caderno e ensopa-o; ensopa-o com a água que pingava directamente do seu cabelo molhado, com as lágrimas dos seus olhos castanhos bem clarinhos (...)" Chora, às vezes faz bem, mas nunca mais chores sozinho. Sabes que estou aqui para tudo! Sempre aqui para ti!
"Mas depois do banho e jantar, nesse dia, Pedro apresenta-se com o sorriso mais bem-disposto, com os olhos mais brilhantes e os movimentos mais alegres que eram característicos do ‘antigo’ Pedro." Ainda bem =D
Beijo grande ! *@@@
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