Numa noite, ao luar... Parte 6(66)

Era notável que Pedro estava zangado com o Mundo, com todos, com ela. Não sentia falta de apoio, nem por parte da família, nem por parte dos amigos, mas sentia a falta de algo. E ele não tinha vontade de continuar, e não tinha coragem de parar. Assim, um dia, encheu o seu grande saco da natação com os seus pertences mais queridos, com toda a roupa que coube e com todo o dinheiro que tinha vindo a guardar… Em vez de ir para a piscina, Pedro pegou e partiu. Partiu com o sonho de nunca mais o verem, com o sonho de não causar mais dor e com o sonho de não sofrer mais às mãos de ninguém, nem devido a nada. Numa noite repleta de escuridão, Pedro desapareceu com a sua solidão.
Deixou para trás a vida, deixou para trás tudo. O seu destino era incerto e a razão era pouca. Pedro não pensou; Pedro agiu. Pedro não ponderou; Pedro fez. Magoaram Pedro; Pedro reagiu. Reacção mais infantil, uma birra ridícula.
‘Não chegarás a lado nenhum… Não passas de um miúdo’, pensava Pedro.
‘Chegarei onde quiser, basta querer. A ambição move pessoas e o meu sentimento ambicioso é forte; moverei o mundo, se for preciso! Eu chegarei onde quiser! Eu tenho um profundo desejo de mudança… Tenho de corrigir injustiças da vida, da realidade. Corrigir algo incorrigível… tornar justo o que é permanentemente injusto. Eu consigo fazer tudo! A mente é um instrumento poderoso!’, Pedro contra-argumentava o seu próprio argumento.
Parou em cima da ponte que dava para o Terminal e olhou para o Tejo, olhou para as luzes, olhou para a lua brilhante, mas só via escuridão. Lá, empoleirou-se nas barras e fechou os olhos…


Fim da Parte 6(66)

1 comentário:

Dupé disse...

Fechar os olhos significa desisitir e não é isso que se quer de um ser tão humano, como tu! Uma desistÊncia implica esquecimento total/parcial das coisas, porém não pode acontecer isso!!!!

Os amigos estão aqui para isso!

Revive!